sexta-feira, 4 de abril de 2008

A ÚLTIMA CRÔNICA

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado,o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples amareloescuro, apenas uma pequena fatia triangular

A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim. São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...” Depois a mãe recolhe as velas, torna a a guardá-las na bolsa. A  negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido –vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

(SABINO, Fernando. A companheira de viagem. 10ª ed.

Rio de Janeiro, Record, 1987, p. 169-71.)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Paulo Francis

"Não há quem não cometa erros e grandes homens cometem grandes erros."

Eu conheço!

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Los 3 Inimigos

 

Tiago Recchia - Gazeta do Povo.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Pra dar nome as ruas!

 

Solda - O Estado do Paraná.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Los 3 Inimigos

 
Tiago Recchia - Gazeta do Povo.

Federação?

Que Federação é essa que as "forças federais" só auxiliam o Rio de Janeiro?

 

Tiago Recchia - Gazeta do Povo.

Charge antiga, mas atualissima

Mestre Leminski

 

domingo, 30 de março de 2008

A Advogada e o Surdo-Mudo

Um chefão da Máfia descobriu que seu contador havia desviado dez milhões de dólares do caixa. O contador era surdo-mudo. Por isto fora admitido, pois nada poderia ouvir e, em caso de um eventual processo, não poderia depor como testemunha. Quando o chefão foi dar um arrocho nele sobre os US$10 milhões, levou junto sua advogada, que sabia a linguagem de sinais dos surdos-mudos.

O chefão perguntou ao contador:

— Onde estão os U$10 milhões que você levou?

A advogada, usando a linguagem dos sinais, transmitiu a pergunta ao contador, que logo respondeu (em sinais):

— Eu não sei do que vocês estão falando. A advogada traduziu para o chefão:

— Ele disse não saber do que se trata. O mafioso sacou uma pistola 45 e encostou-a na testa do contador, gritando:

— Pergunte a ele de novo. A advogada, sinalizando, disse ao infeliz

— Ele vai te matar se você não contar onde está o dinheiro. O contador sinalizou em resposta:

— OK, vocês venceram, o dinheiro está numa valise marrom de couro, que está enterrada no quintal da casa de meu primo Enzo, no n. 400, da Rua 26, quadra 8, no bairro Santa Marta! O mafioso perguntou para advogada:

— O que ele disse? A advogada respondeu:

— Ele disse que não tem medo de viado e que você não é macho o bastante para puxar o gatilho...

Bando de safado!

Sorte!

Galaretka: geléia polaca

Essa receita me lembrou muito minha infância. Retirei do Blog do Ulisses Iarochinski, grande escritor sobre assuntos da Polonia.

Galaretka (Geléia de Mocotó)

Ingredientes:
- 1 pé de boi bem grande (em rodelas grossas)
- 750 gr. de carne (muito músculo)
- 4 folhas de louro
- 1 colher de sopa de alho amassado
- 3 colheres de chá de molho de pimenta suave
- 1 pacotinho de pimenta da jamaica
- 1 colher de sopa de sal
- 150 gr. de legumes à gosto (cenoura, ervilhas...)
- 1 maço de cheiro verde
- 10 ovos cozidos.
Preparo:
Lave bem o pé de boi e leve para cozinhar (com bastante água) em panela de pressão por aproximadamente 2 horas. Numa outra panela cozinhe a carne musculosa com água e um pouquinho de sal... até que fique bem molinha. Retire o pé de boi com escumadeira e corte bem miúdo, retirando todas as gorduras. Deixe descansar. Retire a carne com escumadeira e desfie. Coloque as águas (do cozimento do pé de boi e da carne) numa panela grande e cozinhe os legumes em pedaços. Coloque a carne e o pé de boi nesta mesma panela dos legumes e adicione os temperos (louro, alho, molho de pimenta, pimenta da jamaica e sal. Deixe ferver por 20 minutos.

Montagem:
Forre vasilhames (tipo refratários em forma de anel) com rodelas de ovos cozidos e cheiro verde picado. Derrame o cozido vagarosamente. Deixe esfriar e leve para gelar. Depois de bem firme, raspe delicadamente a goprdura que se formou em cima e jogue fora. Então desenforme virando sobre um prato de maneira que os ovos cozidos fiquem por cima. Sirva com limão e pão de centeio.

Atletiba

não sei quase nada sobre isso tudo:
carrões, grana, poder . sei da amizade,
essa alma gêmea do amor, da verdade.
com o resto, cansei e não me iludo.

sou coxa-branca todo mundo sabe
se sou louco de pedra e nunca mudo
é porque com um pouco mais de estudo
não tinha tanto porco na cidade

a porcarada torce o nosso rabo
e na mesma medida nós, o dela.
uma sem a outra, as duas vão a cabo

torço e distorço, mas de sentinela
pois um pouco de sarro, de bom grado,
cabe aos dois times de meia-tigela!

Antonio Thadeu Wojciechowski