sábado, 3 de janeiro de 2009

Papo de boteco


Diferencie mitos e verdades quando o assunto são bebidas alcoólicas

Ficar de ressaca porque exagerou na dose e, de quebra, ganhar quilos extras é tudo o que seu corpo não precisa. Para evitar isso, fique de olho na sigla GL, presente no rótulo de cada bebida: é ela quem indica o teor alcoólico do que você está consumindo — além, é claro, de reparar a quantidade de calorias e maneirar no consumo.

“Quanto maior a quantidade de álcool ingerida, maiores são os prejuízos para a saúde, principalmente para o cérebro e o fígado”, alerta a nutricionista Fabiana Honda, da consultoria nutricional Patrícia Bertolucci.

Saber as diferenças entre bebidas alcoólicas também é importante na hora da escolha. Chope, cerveja e saquê, por exemplo, são obtidos a partir da fermentação de açúcares (frutose e glicose) contidos em frutos, cereais, grãos, tubérculos e cactos ação realizada por microorganismos chamados leveduras.

Da destilação dos fermentados, surgem bebidas com maior porcentagem de álcool, como aguardente, whisky, gim, vodka e outras. “As bebidas fermentadas têm menor quantidade de álcool e de calorias do que as destiladas. Portanto, numa dieta de emagrecimento, elas são preferíveis em relação às destiladas”, explica Fabiana.

Para não errar na dose e acumular prejuízos ao organismos, descubra aqui as verdades e mentiras das bebidas alcóolicas mais famosas.

1. Cerveja engorda mais do que vodka.
Falso. Um copo (240 ml) de cerveja contém 101 Kcal, enquanto que 200 ml de vodka carrega exorbitantes 480 calorias. A cerveja também tem menor concentração de álcool do que o destilado. Possui de 3 a 5 GL contra 37,5 GL da vodka. “A bebida fermentada contém pequenas quantidades de algumas vitaminas e minerais como vitamina B6, niacina, folato. Porém, o consumo excessivo pode causar obesidade e embriaguez”, diz Fabiana Honda.

2. Vinho tinto é mais saudável do que vinho branco.
Verdadeiro. O vinho tinto é sempre produzido a partir das uvas roxas, enquanto os branco é procedente das uvas brancas ou roxas. A diferença é que, quando vinhos brancos são produzidos com uvas escuras, a casca da fruta é removida antes de terminar a fermentação do suco. E é na casca da uva que mora a maioria dos compostos que são benéficos à saúde.

Como o vinho tinto fica mais em contato com a casca, ele traz mais vantagens ao organismo do que o branco. Ele possui doses generosas de flavonóides, um antioxidante capaz de diminuir os riscos de doenças cardiovasculares, reduzir a incidência de tumores e auxiliar na absorção de minerais como cálcio, magnésio, fósforo e zinco.

Mas não precisa encher a taça para esbanjar saúde. Os benefícios são usufruídos com duas taças para homens e uma taça para mulheres. Até mesmo essa bebida santa tem os seu inconvenientes: pode causar alergia, enxaqueca e, em casos extremos, derrame cerebral. Seu consumo excessivo pode atacar o fígado.

3. Chope e cerveja têm as mesmas calorias
Falso. As duas bebidas estão muito próximas na corrida calórica, o chopel ainda leva vantagem. Uma tulipa de 150 ml tem 90 kcal e um copo de cerveja (100 ml) contém 41 kcal. Ambos têm pequenas doses de vitamina B6, niacina e folato.

4. Aguardente e cachaça são a mesma bebida.
Falso. A aguardente de cana é diferente da cachaça basicamente pela origem da matéria-prima. Enquanto a aguardente é feita diretamente do destilado da cana, a cachaça é extraída a partir do melaço resultante da produção do açúcar de cana. Um copo (100 ml) de aguardente tem 231 kcal, mesma quantidade de calorias da cachaça.

5. A Batida de Maracujá fica mais leve se for feita com aguardente.
Falso. A não ser que você queira acordar com uma baita dor-de-cabeça no dia seguinte, a aguardente não é indicada como substituto da vodka, pois seu teor alcoólico é mais elevado e a quantidade de calorias também. O teor alcoólico da aguardente varia de 38 a 54 GL enquanto da vodka é de 37,5 GL. A adição do leite condensado na batida aumenta o aporte calórico da bebida tornando-a a opção mais engordativa de todas. Por outro lado, sua presença pra lá de açucarada diminuiu a velocidade em que o álcool é absorvido pelo organismo.

6. Mojito é mais fraco do que o whisky.
Verdadeiro. O Mojito é uma tradicional bebida cubana que leva rum, club soda, folhas de hortelã, limão e açúcar. É menos calórico que o whisky e com teor de álcool menor, pois o rum (40 a 50 GL) é diluído na Club Soda.

Já o companheiro escocês, o whisky, apresenta teor de 40 GL O ideal seria tomar com gelo ou misturar um pouco de água para diminuir o teor alcoólico. “Bebidas com açúcar e diluídas são melhores para a saúde, pois atrasam a absorção de álcool pelo organismo. Quando o álcool entra rapidamente na corrente sangüínea, não há tempo suficiente para que ele seja metabolizado. Dessa forma, ele chega ao cérebro causando alguns prejuízos como diminuição da coordenação, do reflexo e da capacidade de raciocínio”, avalia a nutricionista Fabiana Honda.

7. Posso tomar Bloody Mary sem comer antes e não fico bêbado.
Falso. Tudo bem que o Bloody Mary leva suco de tomate, mas não é isso que faz dele um coquetel ultranutritivo. A bebida pode até fazer mal para quem tem problemas gástricos, pois além do álcool, contém grande quantidade de condimentos como tabasco, molho inglês, pimenta e suco concentrado, que podem ser irritantes para a parede do estômago. “Nenhuma bebida alcoólica, exceto vinho tinto, pode ser considerada saudável. O tomate contém benefícios à saúde, mas recomenda-se consumi-lo acompanhado de algum alimento e não de uma bebida alcoólica”, diz Fabiana.

8. Espumantes do tipo Prosseco são tão bons como o vinho branco.
Verdadeiro. Prosecco nada mais é que tipo de vinho branco espumante. Uma taça contém 85 kcal. É feita a partir das uvas também chamadas prosecco, da família das Vitis Viniferas, originária da região do Veneto, Itália. A bebida apresenta substâncias antioxidantes, mas em menor quantidade que o vinho tinto.

9. Caipirinha engorda mais do que a cuba-libre.
Verdadeiro. Meio copo da brasileirissíma caipirinha feita com limão, pinga e açúcar tem 274 Kcal. Já um copo de cuba com coca-cola normal tem 190 kcal o número cai para 110 kcal se a bebida for feita com refrigerante light. Nem a caipirinha feita com adoçante consegue ser menos calórica que a cuba. Fica com 231 Kcal. Na cuba-libre, o acréscimo de coca-cola aumenta a quantidade de calorias da bebida, porém a quantidade de açúcar presente no refrigerante ajuda a diluir o álcool.

Fonte: Minha Vida

Conflito entre israelenses e palestinos chega ao mundo virtual

São Francisco - Hackers árabes modificaram 10 mil páginas israelenses, afirma pesquisador de crimes online da Universidade do Alabama.

A onda de violência que assola a Faixa de Gaza e já deixou mais de 400 palestinos mortos já respinga no mundo virtual. Desde sábado passado, milhares de páginas israelense foram apagadas ou “pichadas” por grupos de hackers do Marrocos, Líbano, Irã e Turquia, disse Gary Warner, diretor de pesquisa em perícia digital da Universidade do Alabama.
No lugar dos sites originais, os hackers colocam mensagens condenando os EUA e Israel pelos ataques, além de colocarem fotos de pessoas mortas e outras cenas de violência registradas na Faixa de Gaza. Nenhum site oficial de Israel, porém, foi atacado pelos hackers.
Os ataques israelense contra os palestinos começaram no sábado passado (27/12), em resposta aos ataques de militantes do Hamas, que lançaram foguetes contra assentamentos israelenses. Os ataques online começaram logo depois. Segundo Warner, cerca de 10 mil páginas foram hackeadas. Um hacker cujo apelido é Cold Z3ro afirma ter atacado cerca de 5 mil páginas web.
A comunidade hacker muçulmana começou a se organizar em 2006, quando hackers muçulmanos atacaram centenas de páginas dinamarquesas. Os ataques começaram após a publicação de charges do profeta Maomé, fundador do Islã. À época, um desses grupos hackers tinha apenas 70 usuários. Hoje, esse mesmo grupo tem mais de 10 mil integrantes, disse o pesquisador.

Robert McMillan, do IDG News Service, em São Francisco

Obama

ROBERTO DaMATTA

Trouxe de volta o festival de bandeiras americanas despertado pelos ataques de 11 de setembro. No momento mesmo em que as autoridades tratavam de ordenar o caos que a brutalidade terrorista provocava, acabaramse os estoques de bandeiras americanas. Fato que a imprensa brasileira interpretou, como não podia ser de outro modo, à brasileira. Seria um surto de nacionalismo.
Na época, eu de lá escrevi uma crônica argüindo que a bandeira era o único símbolo nacional dos Estados Unidos. Não tendo sido uma monarquia (como ocorreu na Europa), tido uma religião oficial (como foi o caso do Brasil) e não tendo sofrido a terrível experiência de ditaduras que seqüestram do povo seus símbolos nacionais; na América, era bandeira de listras e estrelas, e não a cruz de cristo, os leões, grifos, dragões, ou as suásticas, estrelas vermelhas, e a foice e o martelo que representavam o seu lado comunitário mais inclusivo — a sua visão e si como uma pessoa ou indivíduo coletivo. Como nós fazemos com os times de futebol, mantendo com eles uma lealdade que vai além da religião, do casamento e até da sexualidade, os americanos jamais trocaram de bandeira. A guerra civil apenas consolidou o pendão vencedor da “união” que, entre eles, é uma palavra forte, porque a vida cívica americana segue de baixo para cima — o local tendo uma autonomia que causa náusea em qualquer funcionário federal brasileiro. Daí o estranhamento com o sistema eleitoral americano de votação dupla e, ainda por cima, sem a boa centralização de um Supremo Tribunal Eleitoral.
Foi essa multidão de bandeiras americanas que me impressionou quando Barack Obama foi declarado vencedor.
No ritual da vitória, os seus eleitores tinham nas mãos as bandeirinhas nacionais, e não dísticos partidários, como ocorre nas eleições brasileiras. Entre nós, a política partidária ainda terá de aprender a curvar-se diante do poder nacional que pertence ao povo e ao país e deve ser o foco de todos.
Obama me lembra as idéias de um antigo ensaio escrito pelo sociólogo Robert Bellah, em que ele falava de uma “religião civil na América”. Um sistema de crenças no qual o cívico, e não apenas o político, faz com que os presidentes retomem o papel de pastor ou ministro, mostrando, como faz Obama, que o presidente é, sem dúvida, um escolhido, mas fica longe de ser um salvador da pátria. Mas eis que as bandeiras assinalam como o componente messiânico pode pipocar também pelo lado de lá. Os discursos medidos revelam um Obama disposto a controlar a dimensão carismática do papel de presidente.
A meu ver, ele continua a enfatizar muito mais a estrutura e a burocracia quando abandona a plataforma racial para definir-se, como afirmei numa outra crônica, de modo anti-romântico e universalista.
Como um americano que é, entre outras coisas, negro; e não como um negro-americano. Lembro, invocando uma lição do antropólogo Louis Dumont, que os universalistas diziam ser, primeiramente, seres humanos e casualmente franceses. Já os românticos e particularistas, definindose de modo inverso, afirmavam ser homens justamente porque eram, primeiramente, alemães...
A eleição de Obama é um evento magno num país que, no que diz respeito aos negros, colocou-se contra o seu credo cívico de igualdade e liberdade.
Obama, o novo comandanteemchefe, o novo Número Um, é membro do grupo que mais sofreu com a perversão racista, pois a segregação étnica que inferiorizava e roubava humanidade e cidadania ocorria justamente na sociedade que mais havia instituído a igualdade como um valor. Como diz Gunnar Myrdal, no livro “An American Dilemma: The Negro Problem and Modern Democracy”, um estudo clássico, infelizmente não traduzido e pouco conhecido no Brasil, o credo igualitário americano, atua em duas direções. De um lado, ele opera para suprimir o dogma da inferioridade racial; mas, do outro, ele é pervertidamente chamado à cena para romper com essa igualdade.
O “dogma da raça” somente surge com tanta força e consistência, acentua Myrdal, numa sociedade que leva realmente a sério o igualitarismo.
Não fosse a igualdade um credo firmemente estabelecido, não haveria necessidade de um racismo tão sério, explícito e consistente. Mas numa sociedade consistentemente igualitária, o racismo é o recurso ideológico paradoxalmente chamado a inferiorizar o negro na sua inserção na comunidade que se define como branca. O racismo seria uma perversão do igualitarismo e do credo democrático.
É por isso que Obama me trás de novo à cabeça uma já invocada equação entre eleição e alteridade. Pois eu não posso deixar de pensar naquela súcia de red-necks racistas que, aqui e ali, em Cambridge, Massachusetts; em Elizabeth City, North Carolina; e Madison, Wisconsin; na californiana Berkeley e na Notre Dame de Indiana, eu tive o desprazer de encontrar.
Este hesitou em cortar-me o cabelo; aquele queria me obrigar a dar cursos idiotas; um outro consideravame um híbrido ou mestiço impuro, perigoso e sexualmente carregado; a maioria não me acreditou capaz — porque não era inglês ou francês — de ter feito obra e ser recipiente de uma cátedra. Todos devem estar nessa América parida pela eleição de Obama, remoendo seus ressentimentos contra o sistema que eles herdaram e pensam que honram.

Quem come quem

NELSON MOTTA

Em inglês, francês, espanhol, italiano, alemão ou japonês não existe uma expressão equivalente a “comer”, significando relação sexual.
Só em português, mais especificamente em brasileiro.
Aqui, o macho predador não faz amor ou apenas sexo: devora a sua presa. Mas depois do feminismo as brasileiras modernas também adotaram a expressão para suas conquistas.
Surpresos e intimidados, os homens ouviram a temida e desejada ameaça: vou te comer! Certamente essa expressão tão brasileira está em sintonia com o conceito de “antropofagia cultural”, lançado por Oswald de Andrade em 1928 e retomado no transe de 1968.
Na época, acreditamos fervorosamente que o nosso destino e vocação— desde 1556, quando o bispo Sardinha foi comido pelos caetés — era devorar a cultura colonizadora, digeri-la e transformála em brasileira e revolucionária.
Em 2008, no mundo globalizado e interligado, com as culturas nacionais interagindo e se misturando, com a fusão de linguagens e gêneros, com os samplers, a computação gráfica e todas as maravilhas da era da informação e das comunicações, não há nada mais anacrônico do que a idéia de antropofagia cultural. Porque hoje qualquer cultura nacional come e é comida, querendo ou não: a “antropofagia” é inevitável e óbvia.
Quanto tempo perdido teorizando sobre Villa-Lobos ou Tom Jobim “comendo” Bach, Debussy ou Cole Porter para produzir uma música brasileira internacional.
Ou Niemeyer degustando Le Corbusier para inventar a arquitetura moderna. Ou Nelson Rodrigues pumamando em Dostoiévski para criar uma dramaturgia tijucana e universal.
A pobre cultura nacional, provinciana e colonizada, ou “antropofágica e antiimperialista”, não tem nada com isso: os méritos são exclusivamente do talento individual desses raros criadores nativos.
Poucos acreditaram tanto nessa bobagem de “antropofagia” como eu. Levamos a sério a piada do velho Oswald, por ela aceitamos muita empulhação. Quantas vezes diverti amigos estrangeiros, embora falasse a sério, exaltando essa esdrúxula teoria como um diferencial da arte brasileira. Como se pode ser tão bobo tanto tempo?

Corruptos! Somos líderes