quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A morte e o silêncio

RUBEM ALVES

Somente os tolos tentam consolar. Eles não sabem que as palavras de consolo são ofensas à dor da pessoa


NOS BREVES intervalos em que a chuva parava de cair e os raios de sol se infiltravam pelas nuvens, o arco-íris aparecia fazendo os homens se lembrar da promessa que Deus fizera depois do dilúvio: ele nunca mais permitiria que as águas destruíssem a vida. Mas parece que ele se esquecera. A chuva caia sem parar alagando campos, inundando cidades, derrubando casas, matando gente e bichos.
Ele era um menino de 14 anos, feliz, que gostava de viver. Filho único, morava em Floripa. Como todos os meninos e meninas, ele deveria ir à escola naquele dia, porque a chuva não estava tão forte assim. E andar na chuva é uma arte que dá alegria às crianças.
Chegou a hora do recreio, tempo livre para brincar. A chuva voltou a cair mais forte, com raios e trovões. Havia um lugar abrigado da chuva, uma marquise, construída fazia três semanas. Era uma cobertura de cimento, planejada por engenheiros que sabiam o que estavam fazendo. Sólida. Ele se abrigou sob a marquise para ver a chuva. Mas a marquise, ignorando ferro e cimento, caiu sobre ele, esmagando-o. Agora, no seu lugar, resta uma dor que nenhuma palavra pode conter.
A morte faz calar as palavras. São inúteis. Servem para nada. Somente os tolos tentam consolar. Eles não sabem que as palavras de consolo, brotadas das mais puras intenções, são ofensas à dor da pessoa golpeada pela morte. Porque elas, as palavras de consolo, são ditas no pressuposto de que elas têm poder para diminuir o vazio que a morte deixou. Como se a pessoa que a morte levou não fosse tão importante assim e algumas palavras pudessem diminuir a dor que sua morte deixou.
Mas não há palavra ou poema que possa com as únicas palavras que a morte deixa escritas: "Nunca mais". Nada existe de mais definitivo e mais doloroso que esse "nunca mais..."
Bem fizeram os amigos de Jó que o visitaram com o intuito de consolá-lo na sua desgraça. O texto bíblico descreve o que aconteceu:
"Quando eles, de longe, o viram, eles não o reconheceram; e eles levantaram suas vozes e choraram. E eles se assentaram com ele no chão durante sete dias e sete noites, e nenhum deles lhe disse uma palavra sequer, porque eles viram que o seu sofrimento era muito grande" (Job 2.13 ).
Todos os amigos querem diminuir o sofrimento da mãe. Cercam-na com palavras que, pensam eles, trarão algum consolo. Mas que palavra ou poema poderá substituir o seu filho? E a chamam ao telefone para dizer-lhe suas palavras doces e cheias das intenções mais puras. Mas a pureza das intenções não garante a sua sabedoria. E aí, à dor da morte do filho, acrescenta-se uma a outra dor: a mãe é obrigada a ouvir os consoladores delicada e pacientemente, com sorrisos de agradecimento... Mas são tantos os consoladores e eles cansam tanto...
Gestos de consolo, lembro-me de um que me comoveu. Eu vivia em Nova York com a minha família. Aí o pai da minha esposa foi morto num acidente, no Brasil. Ao abrir a porta do apartamento, no chão estava um buquê de flores. Aquele que o trouxera se retirara em silêncio. Não tocara a campainha. Mas deixara um bilhete onde estava escrito: "Não quis perturbar a sua dor..."

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

sábado, 20 de dezembro de 2008

Viva, há vida!

Rir é correr o risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expôr seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e boas idéias é correr o risco de perder pessoas
Amar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Enfim, de que adianta ter medo de arriscar,
se o maior risco já está sendo corrido!!!
Afinal,
VIVER é correr o risco de morrer...

V i v a, há V i d a .

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Computadora

Conversando com um amigo boliviano muito inteligente, levantei a seguinte questão:

- Por que 'computador' em espanhol é feminino, ou seja, vira 'computadora'?

Ao que ele me respondeu categoricamente:

- É porque está comprovado que os computadores são do sexo feminino mesmo, sem qualquer sombra de dúvidas. Aí eu pedi:

- Cite uma razão.

Ele me deu várias... Eis aqui algumas razões que atestam, cientificamente, que os computadores são fêmeas:

1) Assim que se arranja um, aparece outro melhor na esquina.

2) Ninguém, além do criador, é capaz de entender a sua lógica interna (muito boa!)

3) Mesmo os menores errinhos que você comete são guardados na memória para futura referência. (Essa é fatal!)

4) A linguagem nativa usada na comunicação entre computadores é incompreensível para qualquer outra espécie.

5) A mensagem 'bad command or file name' é tão informativa quanto, digamos, 'se você não sabe porque estou com raiva, não sou eu quem vai explicar!!!!!' (essa é ótima!)

6) Assim que você opta por um computador, qualquer que seja, logo você estará gastando tudo o que ganha com acessórios para ele.

7) O computador processa informações com muita rapidez, mas não pensa.(arrasou.....)

8) O computador do seu amigo, vizinho, ou do seu escritório sempre é melhor do que o que você tem em casa. (Essa é maldade... rssss)

9) O computador não faz absolutamente nada sozinho, a não ser que você dê o comando. (OOOtttiiimmmaa).

10) O computador sempre trava na melhor hora.

Será que alguém ainda tem alguma dúvida que o computador é de sexo feminino?